terça-feira, 2 de agosto de 2011

CHAMADA DE REUNIÃO DO NÚCLEO DE ESTUDOS EM EDUCAÇÃO, FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS DO TRIÂNGULO MINEIRO (NEEFICS)

Por NEEFICS

Caros amigos e amigas!

Por motivos diversos, neste ano de 2011 o Núcleo de Estudos em Educação, Filosofia e Ciências Sociais (NEEFICS) ainda não fez nenhuma reunião. Diante disso, estamos convidando vocês pra a 1ª Reunião do NEEFICS neste ano de 2011. Estamos propondo a realização desta reunião no dia 27 de agosto (sábado), às 14h: 00min na biblioteca Municipal Bernardo Guimarães. Devido à ausência de reunião por este longo período, estamos propondo a seguinte pauta:

1) Balanço do NEFICS;

2) Novos rumos para o grupo de estudos: eleição de nova coordenação e demais funções;

3) Novas propostas de estudos e novo cronograma de funcionamento;

4) Funcionamento do BLOG e Criação da Revista eletrônica do NEEFICS.

Desde já, agradecemos e contamos com a participação de todos (as)!

Um abraço;

Prof. Valter Machado da Fonseca P/NEEFICS.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Novo Código Florestal: ética ambiental x impunidade

Por Valter Machado da Fonseca

A votação do novo Código Florestal é manchete nos principais meios de comunicação brasileiros nos últimos dias. Como sempre ocorre com os debates ambientais neste último período, o que está como principal foco das discussões e debates não é a apresentação de propostas eficazes que possam dar conta dos principais problemas ambientais, que tanto tem preocupado a população, mas as discussões se centram em como burlar a legislação ambiental para proteger os infratores que cometem inúmeros crimes ambientais pelo país afora. Aliás, as ausências de uma política fundiária, séria e eficaz, de fiscalização e combate aos crimes ambientais [em especial nas grandes áreas de desmatamento e queimadas], de punição dos principais responsáveis pelos desmandos ambientais, conjugadas com ações efetivas de implantação de nossa legislação ambiental [por sinal, uma das melhores do mundo no papel], tem sido a marca da incompetência de todos os governos [em todas as esferas] nos últimos tempos.

Pelo que estamos acompanhando por intermédio da mídia, os debates estão centralizados não em combater os desmandos ambientais, mas em como fazer concessões para anistiar os infratores em função de argumentos como o aumento da produção agropecuária brasileira. Esta é a tônica dos principais discursos no Congresso Nacional. Presenciamos um enorme esforço por parte da bancada ruralista [e seus apoiadores] em construir um discurso de defesa dos infratores ambientais, escondido atrás da argumentação de que “esses senhores” [infratores] sempre contribuíram para o fortalecimento da economia e da produção agrícola brasileira. Tentam, com todos os argumentos possíveis [e até impossíveis] transformar criminosos em heróis nacionais, aliás, esta estratégia sempre fez parte da história oficial do Brasil.

Ora! Caros leitores! Observando a maioria das potências capitalistas atuais observamos que o aumento da produção agrícola não se mede pelo aumento da quantidade de terras nas mãos dos fazendeiros e grandes grupos e/ou corporações multi/transnacionais. Não se mede a produção agrícola com concentração de terras nas mãos de poucos, pelo tamanho do latifúndio. Ao contrário, na imensa maioria dos países ditos “desenvolvidos” não existem grandes propriedades e estabelecimentos rurais, mas sim pequenas propriedades altamente produtivas. A eficácia da produtividade agrícola se consegue com tecnologias apropriadas utilizadas, verticalmente, em pequenas propriedades e não com o aumento exponencial da quantidade de terras, ou seja, com a abertura interminável de novas fronteiras agrícolas, exterminando com os principais recursos naturais dos principais biomas do país. Haja vista que estudos apontam que investidores estrangeiros da especulação imobiliária são “donos” de quase 1/5 [um quinto] da nossa Amazônia.

Na verdade, os principais discursos em prol do meio ambiente no Brasil trazem em suas entrelinhas interesses particulares ou de estratégias protecionistas a grupos multi/transnacionais ou de grandes latifundiários que usam a terra apenas com fins especulativos. Não dá para entender um país com tamanha quantidade de terras férteis, de dimensões continentais, com parte significativa de sua população em condições precárias de sobrevivência, abaixo da linha de pobreza e passando fome. Portanto, as discussões em torno das temáticas ambientais deveriam se orientar em torno da aplicação efetiva de nossa legislação ambiental, aliada a uma política fundiária justa e efetiva, embasada em pequenas propriedades rurais e não em políticas protecionistas aos latifundiários e especuladores, que são os verdadeiros responsáveis pelos desmandos contra o meio ambiente no país. Aliás, esta discussão que aflorou a partir do novo Código Florestal só serviu para mostrar que o Estado brasileiro e os grandes grupos econômicos não têm qualquer interesse pelo tal “desenvolvimento sustentável” e que este discurso não passa de uma grande falácia. As grandes temáticas ambientais, no fim das contas, são utilizadas em conformidade com os interesses dos grandes infratores ambientais no Brasil, seja no campo, seja na indústria.

sábado, 7 de maio de 2011

Aconteceu de 04 a 06 de maio de 2011 a Regional da SBPC em Catalão/GO

Prof. Valter Machado da Fonseca durante o minicurso

Por NEEFICS

Foi realizada na semana de 04 a 06 de maio de 2011 a Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na cidade goiana de Catalão. Esta reunião teve o caráter preparatório para grande Reunião Nacional da SBPC que ocorrerá em meados de julho na cidade de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Sob o tema geral “Ciência e Tecnologia para a Agricultura, a Pecuária e a Mineração do século XXI”, a Reunião Regional de Catalão contou com, aproximadamente, 2600 participantes e foi considerada um sucesso pelos organizadores do evento. O evento científico foi marcado por debates sobre o Cerrado, mesas redondas sobre diversos assuntos ligados à temática, Conferências e minicursos, todos os debates relacionados à discussão que envolve o estudo sobre o atual estágio de degradação e conservação do Cerrado brasileiro.


O Prof. Valter Machado da Fonseca, Geógrafo, mestre e doutorando em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia, ministrou o minicurso “O Cerrado brasileiro antes e depois da fronteira agrícola”. O minicurso fez uma relevante discussão que envolveu os aspectos relacionados técnicos, econômicos, culturais, sociais e ambientais ligados ao Cerrado brasileiro. O Professor Valter Fonseca fez um recorte histórico que abordou aspectos relativos às formas de ocupação do Cerrado pré-histórico, passando por aspectos que caracterizou a ocupação recente deste importante bioma, até os dias atuais. O minicurso procurou enfatizar o debate transversal, numa visão contextualizada e crítica sobre o processo de ocupação do Cerrado brasileiro, bem como seu atual estágio de degradação e conservação. Ao final do minicurso, forma apresentadas e debatidas propostas visando à minimização dos impactos ambientais sobre o bioma e dos impactos culturais e sociais sobre a população cerradeira, em decorrência da ocupação desordenada deste importante ambiente.


O professor Valter Machado da Fonseca, que também é membro do NEEFICS, foi convidado a ministrar outro minicurso na Reunião Nacional da SBPC em Goiânia, em meados do mês de Julho. Ele acredita que o evento foi muito relevante e deu passos significativos para a implementação de propostas com vistas à minimização dos impactos sobre o Cerrado brasileiro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A PAISAGEM DA JANELA




Por Valter Machado da Fonseca

Na estrada de terra, empoeirada, esburacada
Vai o ônibus lento fugindo dos buracos traiçoeiros
Da janela o homem de pele morena, cabelos grisalhos
As rugas na testa, nos cantos da boca os sulcos do tempo
Seus olhos cansados, ainda conservam o brilho suave
Dos tempos passados, da esperança que ainda resiste

Da janela estreita do velho ônibus, observa a paisagem
Às vezes de verde exuberante, às vezes árida, sombria, vazia
Ao longe nuvens esparsas pintam o azul do céu de outono
Os olhos cansados, fitos no infinito observavam com cuidado
À procura de algo novo, de algum detalhe que relembre o seu passado

Da janela do ônibus, observa ao longe o velho casebre
Imagina as pessoas que teriam a coragem de habitá-lo
Ao redor da casa o cão vadio, magro, sem forças pra latir
Reflete a condição de penúria, talvez fome e miséria
Daqueles que ali vivem, talvez, apesar de tudo felizes
Talvez esperando a chuva, trazendo com ela a flor da primavera

Da janela do ônibus empoeirado, o homem pensa na vida
Relembra o passado, os momentos felizes, o prazer da infância
Relembra o carrinho dos amigos e das mulheres que passaram
Os tempos tristes, as angústias e os sofrimentos que ficaram
A vida, pensa ele: é como a estrada, está em movimento
Alternam paisagens alegres, às vezes tristes como um lamento.

Dentro do ônibus um pequeno grupo de viajantes
Cada um com seu pensamento, com sua alegria, com sua aflição
Todos nas janelas, observam a paisagem, forçam a visão
Será que todos eles vêem a mesma paisagem sempre fixa?
Talvez, arbustos em seus pensamentos, trancados na intimidade
Nem notem o cão magro, o velho casebre com dignidade

Da janela do velho ônibus em constante movimento
A paisagem lá fora é a aquarela que mancha a tela
Da pintura do mundo, imundo, às vezes árido, às vezes fecundo
A velha aquarela, manchada, desbotada, só velho cão
É o reflexo da vida, sofrida, abalada, reflexo do mundo
O homem na janela do ônibus, talvez seja apenas o reflexo da solidão.

sábado, 2 de abril de 2011

O pão nosso de cada dia (1)

Por Prof. Ms. Valter Machado da Fonseca
Há dias atrás, o JM publicou um artigo de minha autoria intitulado “A mídia e o veneno que nos servem à mesa”, que fez muito sucesso. Prova disso é a quantidade de e-mails que recebi de diversas partes do país e até do exterior (Portugal, Argentina, Espanha). O objetivo desse artigo não é discutir o sucesso de meu texto. Citei o fato, pois ele nos remete a algumas importantes reflexões. Os e-mails recebidos mostram a relevância do tema “saúde”. “obesidade”, “alimentação saudável”. Demonstram ainda a preocupação de parte da população [que não aparece nas estatísticas oficiais] em relação à saúde. Então, resolvi dar continuidade às reflexões sobre esta relevante temática. Enviarei ao JM uma série alternada de contribuições sobre este assunto.
Hoje tratarei de um assunto bastante polêmico e que vem sendo, sistematicamente, discutido nas grandes rodas de pesquisas científicas das áreas de saúde humana: a transgenia ou melhoramento e/ou clonagem de espécies vegetais e animais. Nas últimas décadas, o avanço das técnicas de engenharia genética colocou em foco a questão da transgenia, isto é, a produção de organismos geneticamente modificados (OGM). Um OGM é um ser vivo obtido ao introduzir-se, em uma espécie biológica, de forma estável e hereditária, um gene mediante mecanismos de DNA recombinante, o que implica no fato de que, pela primeira vez na história, a transmutação de genes permitiu romper a barreira entre as espécies.
O Conselho de Informação sobre Biotecnologia – CIB (2004) informou que, em 1994, o primeiro transgênico chegou às prateleiras dos supermercados: um tomate, desenvolvido para ter mais sabor do que o comum e suportar maior tempo de armazenamento. No ano seguinte, a primeira variedade de soja transgênica foi introduzida no mercado. Estas evidências mostram somente a “ponta do iceberg”, hoje, além do tomate e da soja, diversas espécies geneticamente modificada têm sido colocadas nos varejões e prateleiras dos supermercados à disposição dos consumidores. Grande variedade de produtos “vistosos e bonitos” é colocada, diariamente, à nossa disposição no mercado, a exemplo de hortaliças, legumes, grãos e carnes de todos os tipos. Agora, além de nos preocuparmos com os herbicidas/pesticidas lançados sobre os alimentos e depois infiltrados no solo contaminando-o juntamente com as águas, temos que nos preocupar ainda com aquilo que a gente não vê, pois ocorre em nível de DNA: a transgenia de alimentos.
E, por trás de todas essas experiências, da qual as cobaias somos nós mesmos, existem os grandes grupos multi/transnacionais que ficam, cada dia mais, bilionários à custa dessas experiências com a saúde humana. Eles controlam todo o processo produtivo da indústria agronômica, farmacêutica e de alimentos. Os pequenos produtores ficam à sua mercê, pois dependem deles para a aquisição de sementes [já que não adianta selecionar os grãos, pois eles não têm mais potencial germinativo], aquisição de insumos, pesticida, herbicidas, dentre outros agrotóxicos.
Isto impede que os pequenos produtores pratiquem a agricultura de subsistência e/ou familiar, devido ao grande cartel oligopolista, formado pelos gigantes genéticos, os quais estipulam preços incompatíveis com as práticas dos pequenos produtores, uma vez que esses preços são estabelecidos para atender a realidade da monocultura voltada para a exportação. Enquanto o homem brinca com pesquisas sérias, em troca do lucro, nós assistimos à volta de doenças antigas e o surgimento de novas. Assim, vamos deixar para os nossos filhos e netos um monte de doenças, alimentos artificiais e pragas, decorrentes da ganância humana, muitas vezes chamada, equivocadamente, de “progresso e desenvolvimento”. Neste sentido, alguns poucos grupos ganham fortunas à custa do sofrimento, miséria e morte de grande parcela da população, principalmente os mais humildes.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Será que só eu vi o que aconteceu no Japão?

Prof. Ms. Valter Machado da Fonseca
No ano de 2010 o mundo, literalmente, foi balançado pelo terremoto no Haiti. Caiu a mascara que muitas nações queriam ocultar: com aquele terremoto, a natureza sabiamente mostrou a todo o planeta a nudez horrenda da desigualdade social que marca a sociedade moderna em estado de total necrose. A natureza mostrou os horrores de uma população que clamava por socorro: uma população morta de fome, onde as mães tentavam enganar a fome das crianças com tortilhas de barro.
Ainda em 2010, a natureza voltou a se manifestar no Chile, com outro grande evento sísmico. Centenas de pessoas pereceram vitimadas pelo terremoto chileno. A natureza resolveu mostrar toda sua ira neste ano de 2010: foram grandes catástrofes por diversas regiões do planeta, como a maior nevasca da história da França, a grande nevasca de Nova York, os grandes tornados nos EUA, enchentes violentíssimas na China, na América Central, na Ásia, no Brasil, além de furacões, maremotos, chuvas de granizo, grandes secas em regiões que são tipicamente úmidas. Enfim, a natureza está mostrando indícios de alguma coisa, está nos dizendo que alguma coisa vai muito mal.
Ao assistirmos aos noticiários vemos a mídia tratar essas questões como perfeitamente normais. As notícias são transmitidas com a maior naturalidade, como se nada estivesse ocorrendo. Como se o fato de crianças [seres humanos] comerem barro, para saciar a fome, fosse algo tipicamente normal. O que tem sido feito pelo povo haitiano, agora que os holofotes mudaram seu foco?
A natureza mostrou que é altamente democrática: primeiro ela voltou sua ira contra a população paupérrima do Haiti, depois ao povo chileno. Agora, contra o povo mais desenvolvido, tecnologicamente falando: o povo japonês. O terremoto no território japonês foi um evento natural, em decorrência da acomodação de placas tectônicas. As vítimas deste evento sísmico já ultrapassam 11.000. Este evento de grande magnitude [o maior ocorrido no Japão] deslocou o eixo da Terra em alguns graus [o que equivale a alguns centímetros]. Parece uma coisa irrisória, mas, na verdade isto é o indício mais forte e mais significativo que o planeta nos fornece, o que significa que a natureza está dizendo que algo grandioso está para acontecer neste período geológico.
Mas, o que considero mais grave, em que pese o sofrimento de todas as famílias vitimadas pelo evento sísmico no Japão, foi o que ocorreu depois dele: o abalo das estruturas do grande complexo nuclear japonês, deixando totalmente exposto o núcleo de plutônio do reator 3 [três]. É bom ressaltar que o plutônio é um elemento altamente radioativo. Ironicamente, foi o mesmo utilizado pelos EUA em suas bombas atômicas, lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, na 2ª Guerra Mundial. O plutônio exposto está emitindo partículas radioativas para a atmosfera e para os corpos d’água, que já estão contaminados em mais de 2000 vezes acima dos índices aceitáveis. Além disso, as partículas radioativas na corrente atmosférica já atravessam o Oceano Pacífico em direção à Europa.
E, mais uma vez, a mídia trata a questão com inigualável naturalidade: talvez seja para não expor as contradições que movem o atual modelo econômico de produção, demonstrando que o motor do sistema capitalista está em total estágio de putrefação. Afinal, este sistema precisa da desgraça humana para sobreviver. Com os terremotos, a natureza demonstra o que pode fazer com a humanidade. Ela não precisa da raça humana para continuar existindo, muito pelo contrário, talvez ela viva melhor sem a espécie humana. E, finalmente, neste terremoto, o homem mostrou, por intermédio da imprudência nuclear, o que ele pode fazer contra si mesmo.

sábado, 12 de março de 2011

A TERRA “EM TRANSE” SACODE O JAPÃO

Prof. Ms. Valter Machado da Fonseca
Mais uma vez o arquipélago que dá origem ao território japonês é sacudido por um forte abalo sísmico estimado em 8,9 graus na Escala Richter. O terremoto foi classificado pelos cientistas da NASA como o 7º do mundo em magnitude e o mais forte ocorrido no Japão até os dias atuais. O evento sísmico ocorreu devido à posição geográfica ocupada pelo conjunto de ilhas que compõem o território japonês. Ele se localiza exatamente num ponto onde existe uma grande confluência de placas tectônicas, como a placa oceânica do Pacífico e a placa da Ásia. Normalmente os principais eventos sísmicos que abalam o Japão ocorrem em decorrência de choques entre placas tectônicas. O Japão situa-se na principal zona de ocorrência de eventos sísmicos em todo o planeta: o “Círculo do Fogo”.
“Círculo do fogo” é a nomenclatura dada à região submetida a intensas e frequentes atividades sísmicas e vulcânicas que circunda a região onde se situa a placa tectônica do Oceano Pacífico. Essa zona é circundada pela junção de várias outras placas tectônicas, como Nazca, Filipinas, de Cocos, Antártida, norte-americana e Indo-australiana, englobando, ainda uma pequena porção da borda da placa da Eurásia. As junções dessas placas originam movimentos geotectônicos, que dão origem a intensas atividades de vulcanismo e terremotos. E o Japão se localiza exatamente na posição de junção dessas placas.
Como o epicentro do terremoto japonês ocorreu no Pacífico, ou seja, no interior do oceano [há 320 km do continente], o evento provocou um grande turbilhão [com grande liberação de energia] no assoalho do Oceano Pacífico, o que provocou o surgimento de diversos Tsunamis consecutivos, que se reproduziram, ainda que em menor intensidade, em diversos pontos da Terra. Isto ocorre porque esta energia é transmitida de uma placa à outra [como um efeito dominó], uma vez que as 14 placas tectônicas, nas quais se divide a crosta terrestre, estão em contato direto entre si.
Em que pese o sofrimento de centenas de famílias e pessoas vitimadas pela catástrofe em território japonês e, embora o evento sísmico seja um fenômeno natural, o acontecimento nos permite tirar algumas conclusões e lições importantes. Em primeiro lugar, é preciso compreender e perceber a ocorrência deste terremoto, como continuidade de uma série de eventos sísmicos que marcam o presente período geológico, a exemplo dos do ano passado, ocorridos no Chile e no Haiti. Aliados a esses eventos, os tempos atuais têm sido marcados, fundamentalmente, por grandes tornados, furacões, maremotos, nevascas, vulcanismos, enchentes e inundações em diversas regiões do planeta. Estes eventos geológicos e climáticos vêm demonstrar que a terra não se estabilizou. Pelo contrário, esta série de eventos chegou a deslocar o seu eixo em alguns graus. Além disso, é interessante ressaltar que estamos num período interglacial. Esta série de eventos pode significar indícios e sintomas seriamente graves, o que, fatalmente, podem levar a um diagnóstico catastrófico: o fim de mais uma era glacial.
É notório para os estudiosos das ciências da Terra, em especial os do campo da Geologia, que um instante geológico pode significar milhares e/ou centenas de anos no tempo cronológico normal, como também pode significar apenas algumas décadas em nosso calendário. O principal e também o mais catastrófico é que o fim de uma era glacial significa, com toda a certeza, também o fim de 98% das principais espécies de seres vivos e, dentre elas a raça humana. A nós, resta torcer para que este instante geológico dure, pelo menos dez mil anos, sob pena de vermos sucumbir toda a espécie humana, juntamente com sua tecnologia, sua ganância e irracionalidade, que tanto têm prejudicado o nosso planeta, ainda, azul.